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Lendas
Lenda da Gruta da Fada
Gruta formada por uma imensa rocha de granito, apoiada em dois
rochedos que a flanqueiam. Diz a lenda que uma fada, todas as noites,
cerca da meia-noite, ali vai carpir o seu destino.
A referida gruta fica na estrada para a Pena, à esquerda de quem sobe,
quase ao chegar ao portão principal do parque da Pena.
Lenda da Peninha
Conta-se que no reinado de D. João III, na
terra de Almoínhos-Velhos, havia uma pastora muda que tinha o costume de
levar as suas ovelhas a pastar ao cimo da serra.
Certo dia, uma das suas ovelhas fugiu, deixando a jovem pastorinha
desesperada em busca da tal ovelha.
Após longas buscas, observou ao longe uma senhora que trazia consigo a
sua ovelha.
A pastorinha agradeceu muito como pode, visto que esta não conseguia
falar.
A senhora, aproveitando a ocasião, pediu à pastorinha que lhe desse um
pouco de pão. A pastora explicou-lhe, gestualmente, que esse ano tinha
sido mau e havia muita fome. A senhora deu-lhe então um conselho:
- Quando chegares a casa chama pela tua mãe e procura pão.
A pastorinha tentou explicar-lhe que isso era
impossível, pois, além de ter a certeza de que não havia pão em sua
casa, ela não podia chamar pela sua mãe, uma vez que era muda. Mas a
senhora tanto insistiu que a pastora decidiu fazer o que esta lhe dizia.
Ao chegar a casa chamou pela mãe e a sua voz fez-se ouvir em toda a
casa.
Contou a história à mãe e apressou-se a
procurar o pão. E qual não foi o espanto das duas quando, dentro de uma
arca, encontraram pão que chegou para a aldeia toda.
No dia seguinte, como prova de agradecimento, toda a aldeia subiu à
serra e precisamente no sítio onde a pastorinha tinha encontrado a
senhora, estava agora uma gruta com a imagem de Nossa Senhora.
Este local passou a ser sagrado e mais tarde foi aí
construída uma capela, conhecida por Capela de Nossa Senhora da Peninha.
Lenda de Monserrate
Diz a tradição que, nos tempos de domínio
árabe, morou naquele sítio, no alto da Penha, um moço árabe ou fidalgo
cristão, que tinha grande influência sobre todas as famílias cristãs que
habitavam a serra.
Esse moço árabe andava em rixa velha com o alcaide do castelo de Sintra,
e dessa discórdia resultou este vir desafiá-lo a um duelo. No duelo
deu-se a morte do moço árabe que ficou estendido no chão. Logo foi
considerado mártir por toda a gente, e em sua honra levantaram um túmulo
e depois uma capelinha de oração.
Esta pequena ermida ruiu com o tempo, sendo em 1500 substituída por
outra, edificada pelo padre Gaspar Preto, sob a invocação de Nossa
Senhora de Monserrate, tendo vindo de Roma a imagem da Virgem, feita de
alabastro.
Lenda de Seteais
Quando Sintra ainda pertencia aos mouros, um
dos primeiros cavaleiros cristãos a subir a serra de Sintra
foi D. Mendo de Paiva. No meio da confusão da debandada de
uns e chegada de outros, encontrou-se junto a uma pequena porta secreta
por onde fugiam vários mouros da fortaleza. Entre eles viu uma moura
muito bonita, acompanhada pela velha aia.
Ao dar de olhos com o cristão, a moura suspirou
por se sentir descoberta e a velha, que ainda não reparara no cavaleiro,
apressou-se a pedir-lhe que não suspirasse. Porém, reparando no olhar da
ama, fixo num ponto determinado, seguiu-o e viu finalmente o inimigo,
que sorridente lhe disse:
- Acaba o que ias dizendo!
Mas a velha, de sobrolho carregado, respondeu-lhe:
- O que tenho para dizer não serve para ouvires, cáfir! Os cristãos já
têm tudo quanto queriam: os nossos bens, as nossas terras, o castelo.
Vai-te! Vai-te e deixa-nos em paz, conforme o combinado.
- Vai tu, velha! A rapariga é minha prisioneira!
A moura, ao ouvir tal coisa, suspirou novamente, de medo e comoção. A
velha, ao ouvir aquele novo ai, achou que era melhor confessar o seu
segredo ao cristão:
- Não digas mais nada, cristão! Não digas mais nada, que a minha ama
carrega desde o berço uma terrível maldição!...
- Como assim velha?! - perguntou o cavaleiro, ao mesmo tempo que a moura
dava o terceiro suspiro.
- Ah, cavaleiro! À nascença a minha ama foi amaldiçoada por uma
feiticeira que odiava a sua mãe por esta lhe ter roubado o homem que
amava. Fadou-a a morrer no dia em que destes sete ais... e, como vês, já
deu três!
D. Mendo deu uma alegre gargalhada, e a jovem outro ai.
- Não acredito nessas coisas, velha! Olha, a partir de agora ambas
ficarão à minha guarda. Eu quero para mim a tua bela ama!
A moura suspirou de novo e a velha, numa aflição sem limites, gritou:
- Ouviste, cavaleiro, ouviste?! É o quinto ai! Que Alá lhe possa valer!
- Não tenhas medo! Espera aqui um pouco... Voltarei para vos levar a um
sítio sossegado!
O cristão afastou-se rapidamente e, assim que desapareceu dentro das
muralhas, um grupo de mouros que ouvira a conversa surgiu subitamente
para roubar as duas mulheres. Com um golpe de punhal cortaram a cabeça à
velha, que nem teve tempo de dar um ai. A jovem é que, ao ver a sua
velha aia morrer daquele modo inesperado e cruel, soltou um novo e
dolorido ai. Era o sexto, e o sétimo foi a última coisa que disse, no
momento em que viu o punhal voltear para lhe cair sobre o pescoço.
Quando pouco depois D. Mendo voltou com uma escolta, ficou tristemente
espantado: afinal cumprira-se a maldição!
D. Mendo jurou vingança e, a partir desse dia, tornou-se o cristão mais
impiedoso que os mouros jamais encontraram no seu caminho.
E, em memória da moura que desejara e uma maldição matara, chamou,
àquele recanto de Sintra, Seteais.
Ainda hoje, nos belos jardins de Seteais há um sítio onde se alguém
disser um "ai" ouvirá um eco que o repetirá seis vezes, ouvindo-se assim
sete ais em honra da moura que um dia lá morreu.
Lenda do Cabo da Roca
Conta a lenda, que perto do Cabo da Roca,
desapareceu da casa de sua mãe um menino, cuja idade rondava os cinco
anos, sem que a sua triste mãe pudesse saber onde ele estava. Já o
presumia caído de alto penhasco abaixo no mar e afogado. Já o deplorava
morto. Mas a verdade era outra. Umas bruxas tinham-no tirado de sua casa
e lançaram-no num despenhadeiro num monte sobre o mar.
Aos choros que o menino dava, acudiram uns pastores de gado que
rapidamente deram a notícia à vila. De lá vieram muitos aldeões com a
desconsolada mãe para socorrerem o pobre menino.
Para o tirarem do buraco que parecia de fundo inacessível foi uma tarefa
complicada, mas rapidamente conseguiram. Todos ficaram alegres por o
verem são e salvo. Logo a mãe lhe perguntou quem o tinha posto ali; e
quem lhe dera de comer durante tanto tempo. O menino explicou que tinham
sido umas mulheres que o tinham trazido pelo ar e o tinham atirado para
a tal cova, porém, uma senhora, muito formosa, todos os dias lhe levava
umas sopinhas de cravos para ele comer.
Depois da história explicada e tudo estar resolvido, toda a aldeia,
juntamente com a mãe e o menino, se dirigiu à igreja para agradecer a
Nossa Senhora tudo ter acabado em bem. Ao entrar na igreja e ao ver a
Senhora no altar, o menino disse com estas palavras: "Ó mãe, a senhora
que todos os dias me dava as sopinhas de cravo para eu comer é aquela".
Este menino chamava-se José Gomes, mas foi sua alcunha que ficou
conhecida na praça de Cascais, Chapinheiro.
Num
retábulo pintado no interior da Igreja, que está ao pé do farol da Guia
(Cascais), datado de 1858, encontra-se inscrito este milagre.
Lenda do Palácio
Nacional de Sintra
No Palácio Nacional de Sintra existe uma sala
cujo o tecto está pintado com diversos desenhos de pegas.
Diz-se que o rei e a rainha que lá viviam nessa época fizeram casar mais
100 mulheres, entrando na conta as que ele próprio casou também,
seguindo tão bons exemplos. Não havia uma ligação ilícita, nem um
adultério conhecido. A corte era uma escola. D. Filipa, pregando ao
peito o seu véu de esposa casta, com os olhos levantados ao céu, não
perdoava. Terrível, na sua tranquilidade, trazia o marido sobre
espinhos.
Certo dia, segundo reza a lenda, em Sintra, o rei esqueceu-se, e
furtivamente pregava um beijo na face de uma das aias, apareceu logo
acusadora e grave, sem uma palavra, mas com um ar medonho, a rainha
casta e loura. D. João, pálido, balbuciando, disse-lhe uma tolice: "Foi
por bem!!!". A rainha saiu solenemente. Eram ciúmes? Não, ciúmes só
sente quem está apaixonado, e não era o caso. Apenas sentia o seu
orgulho ferido.
Rapidamente a notícia se espalhou pelo palácio, e toda a criadagem
andava com a frase "Foi por bem" na boca. Chateado com a situação, o rei
decidiu tomar uma iniciativa, mandou construir uma sala para a
criadagem. Todos ficaram radiantes e contavam os dias que faltavam para
a sala estar pronta.
Finalmente chegou o dia, iam conhecer a sala. Qual não foi o espanto de
todos ao verem que o tecto da tal sala estava todo pintado com pegas,
que tinham escrito no bico: “Pour
Bien”
(Por Bem).
Lenda do Penedo dos
Ovos (pedra amarela)
Existe, no meio da serra de Sintra, um penedo
elevado a prumo caprichosamente pela Natureza, ou produzido pelas
convulsões vulcânicas do terreno em tempos ignotos, que anda ligado à
seguinte lenda:
Dizia-se em tempos que por baixo da tal pedra havia um tesouro escondido
(um tesouro encantado) que pertenceria a quem fosse capaz de derrubar o
penedo, atirando-lhe com ovos.
Uma velha meteu então na cabeça que esse tesouro havia de lhe pertencer.
Para tal, a velha começou a juntar tantos ovos quanto podia. Quando
achou que já tinha um bom fornecimento, deu início à sua ingénua tarefa.
Carregou, pouco a pouco, todos os ovos para perto do penedo, e meteu
mãos à obra. Um a um, dois a dois, e com quanta força dispunha, ia
arremessando os ovos contra o penedo. Quando já não lhe restava nenhum,
terrível decepção! O penedo continuava direito e firme, lavado com ovos.
E
foi assim que, em vez de cair por terra o penedo, pondo a descoberto o
maravilhoso tesouro, caíram por terra todos os sonhos e todas as
esperanças da pobre velha! E, ainda hoje, o povo, sempre propenso ao
maravilhoso, julga ver nos musgos amarelados que cobrem o penedo as
gemas dos ovos que a velha contra ele arremessou.
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